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As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene com o mesmo nome.

As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene com o mesmo nome.

Lei 9: Vença Pelas Suas Atitudes, Não Discuta

26.03.20

Helicóptero de emergência - Vença Pelas Suas Atitudes, Não Discuta

Qualquer trunfo momentâneo que se alcançe através da discussão é, efetivamente, uma vitória de Pirro: o ressentimento e a má vontade que se desperta são mais fortes e permanentes do que qualquer mudança momentânea de opinião. É muito mais eficaz fazer os outros concordarem connosco através das nossas atitudes, sem dizer uma palavra. Demonstre, não explique.

Um engenheiro em Atenas recebeu ordens do seu comandante Caio Licínio Muciano para enviar o mastro do maior navio para ajudar no cerco da cidade de Pérgamo. O engenheiro argumentou de que o comandante precisava de um mastro maior, e não de um mastro menor, pois seria o mais adequado para a tarefa. Muciano ficou furioso e mandou chamar o engenheiro, que continuou a tentar explicar o motivo de enviar o mastro menor. Pela sua desobediência, o engenheiro foi açoitado violentamente com varas até sucumbir e morrer.

O argumento do engenheiro ficou sem resposta. Ninguém se importava se era mais prudente usar o mastro maior ou não. O facto é que o seu superior deu uma ordem, e pensou que ao insultar a inteligência de seu mestre, a sua argumentação era mais importante.

Quando o prefeito de Florença, Piero Sorderini, disse a Michelangelo que o nariz numa escultura que havia sido contratado para fazer de um jovem David era muito grande, Michelangelo não argumentou que o nariz tinha o tamanho certo. Levou o prefeito para cima do andaime e deu a aparência de ter mudado o nariz. Sorderini ficou satisfeito e ninguém ficou ofendido.

Ao contrário de Michelangelo, o engenheiro não exerceu a correção das suas ideias indiretamente.

Dois efeitos a longo prazo das suas palavras

  1. Ressentimento: quando as pessoas concordam consigo, mas estão a pensar em algo totalmente diferente.
  2. Ofendido: disse algo inadvertidamente, mas de acordo com o humor da outra pessoa, foi mal interpretado.

O ditado popular "As ações falam mais alto do que as palavras" tem a sua razão de ser. As ações e demonstrações são muito mais fortes do que qualquer retórica que possa sair pela boca. Não saem palavras ofensivas, e não existem possibilidade de má interpretação. Ninguém pode discutir com provas demonstradas. Como Baltasar Gracian observa: "A verdade geralmente é vista, raramente ouvida". Além das ações, a persuasão mais poderosa é simbólica.

Símbolos como uma bandeira, história ou monumento mítico são algo que todos entendemos sem a troca de uma palavra. Henry Kissinger, que em 1979 interrompeu repentinamente uma intensa reunião com os israelitas durante o retorno do deserto do Sinai para visitar um lugar antigo em Massada, e onde se pensa que sete mil guerreiros judeus tenham entrado num suicídio em massa em 73 dC, ao invés de ceder às tropas romanas. Os israelitas sabiam que a mensagem de Kissinger era muito mais do que apenas um aviso; era um símbolo emocional significativo que os fazia pensar muito mais seriamente do que qualquer retórica oratória que pudesse ter aplicado.

Exceções à lei

Há um momento em que discutir ou argumentar verbalmente é a estratégia certa: quando é apanhado numa mentira e precisa de distrair os outros do seu engano. Neste caso, discuta vigorosamente e com convicção. Quanto mais emocional parecer, maior a probabilidade de as pessoas acreditarem em si.

O trapaceiro aristocrático Conde Victor Lustig praticou esta técnica. Enganou muitas pessoas a vender uma caixa que alegou ser uma máquina de ganhar dinheiro. Normalmente, quando não funcionava, as pessoas ficavam com vergonha de relatar que foram enganadas.

Mas uma vítima, um xerife, confrontou Lustig. Lustig argumentou veementemente, com muita terminologia desconcertante, que o xerife devia ter danificado a caixa ou a usado incorretamente. Ofereceu-se para devolver o dinheiro ao xerife, além de instruções por escrito, e prometeu visitá-lo e examinar a caixa. Lustig devolveu o dinheiro pago pelo xerife e este partiu satisfeito. Mais tarde, porém, o xerife foi preso e condenado por passar notas falsas. Lustig venceu a discussão e nunca mais ouviu falar do xerife.

Fingir a ignorância, apresentar uma retórica descabida ou oferecer algo em troca de nada pode a solução para se livrar de uma enrascada.