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As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene com o mesmo nome.

As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene com o mesmo nome.

Lei 4: Fale Sempre Menos do Que o Necessário

31.03.20

Duas pessoas em noite tranquila - Fale Sempre Menos do Que o Necessário

Quando se procura impressionar as pessoas com palavras, e quanto mais se diz, mais comuns parecemos ser, e menos controlo na situação aparentemente temos. Mesmo que se diga algo banal, vai parecer original se o tornarmos vago, amplo e enigmático. As pessoas poderosas impressionam e intimidam por falar pouco. Quanto mais se fala, maior é a probabilidade de se dizer uma tolice.

6 factos ao falar menos do que o necessário

1. Faz as pessoas revelarem mais sobre si mesmas

Falar menos fará as pessoas revelarem mais sobre si mesmas, sendo informação que poderá usar mais tarde. As suas respostas curtas e o silêncio colocarão os outros na defensiva, preencherão nervosamente o silêncio com todo o tipo de comentários que revelarão informações valiosas sobre eles e as suas fraquezas. Quanto mais ouve, mais os outros mexem a boca. À medida que movem os lábios e os dentes, você pode entender as suas verdadeiras intenções.

2. As pessoas interpretam cada palavra que diz com cuidado

Falar menos forçará as pessoas a interpretar cada palavra sua com cuidado. O seu silêncio deixará as outras pessoas desconfortáveis. Os humanos são máquinas de interpretação e explicação; e precisam saber o que está a pensar. Quando controla cuidadosamente o que revela, não podem auscultar as suas intenções ou o seu significado. Vão sair de uma reunião consigo ponderando cada palavra sua. Esta atenção extra aos seus breves comentários aumentará o seu poder. Os mestres do enigma Andy Warhol e Marcel Duchamp, sabiam o poder de dizer menos e fazer as pessoas tentarem adivinhar o que faziam. Warhol reconheceu que era difícil convencer as pessoas a fazer o que queria; portanto, quando entrevistado, dava respostas vagas e ambíguas e deixava o entrevistador encontrar a sua própria interpretação. No caso de Duchamp, quanto menos falava sobre o seu trabalho, mais se murmurava nos círculos da arte.

3. Uma vez que as palavras saem, já não pode voltar atrás

Mantenha as suas palavras sob controlo. Seja particularmente cuidadoso com o sarcasmo: a satisfação momentânea que obtiver com as suas palavras cortantes, será superada pelo preço que paga.

4. Quanto mais diz, mais comum parece

Quando tenta impressionar as pessoas com palavras, e quanto mais diz, mais comum parece e menos controlo tem. Mesmo se estiver a dizer algo banal, parecerá original se o tornar vago, aberto e parecido com uma esfinge.

5. Dizer menos impedirá que diga algo tolo ou mesmo perigoso

Por volta de 454 aC, Caio Márcio Coriolano era um grande herói militar da Roma antiga. As pessoas admiravam-no. Coriolano decidiu concorrer ao Senado e falou o que pensava, quase incapaz de controlar sua arrogância e orgulho. Caluniou e insultou as pessoas. Quanto mais discursos fazia, menos as pessoas o respeitavam. Acabou por sofrer a ira do povo e foi banido da cidade.

6. As pessoas não o conseguirão enganar, pois nunca conhecerão a sua posição

O Rei Luís XIV de França era um homem de poucas palavras. O seu infame "eu depois verei" foi uma das várias frases extremamente curtas que ele aplicava a todos os tipos de pedidos. Luís XIX nem sempre foi assim. Quando jovem, era conhecido por conversar bastante, deliciando-se com a sua própria eloquência. A sua taciturnidade posterior foi autoimposta, uma espécie de máscara que usava para manter desequilibrados todos os que estivessem abaixo dele. Ninguém sabia exatamente onde Luís XIX estava, ou poderia prever as suas reações. Ninguém poderia tentar enganá-lo dizendo o que achava que queria ouvir, porque ninguém sabia o que queria ouvir.

Enquanto conversavam sobre o silencioso Luís XIX, os outros revelavam cada vez mais sobre si mesmos, informações que o Rei usaria mais tarde contra eles com um grande efeito. No final, o silêncio de Luís XIX manteve os que estavam ao seu redor aterrorizados e sob o seu controlo. Foi um dos pilares do seu poder. Como o Conde Saint-Simon escreveu: "Ninguém sabia tão bem quanto ele como vender as suas palavras, o seu sorriso e até seus olhares. Tudo nele era valioso porque criava diferenças, e sua majestade era acentuada pela escassez de suas palavras".

Dizer menos que o necessário não é apenas para reis e estadistas. Na maioria das áreas da vida, quanto menos disser, mais profundo e misterioso parece. Ao dizer menos do que o necessário, cria a aparência de significado e poder. Além disso, quanto menos diz, menor é o risco de dizer algo tolo, ou até mesmo perigoso.

Exceções à lei

Há momentos em que o silêncio não é o melhor caminho:

Pode deixar as pessoas desconfiadas e, no caso dos seus superiores, pode fazê-los sentirem-se inseguros. Um comentário vago e ambíguo pode ser mal interpretado para seu prejuízo.

Às vezes, é mais inteligente interpretar o bobo da corte e parecer tolo e inofensivo, apesar de ser mais esperto que o rei. Ninguém suspeita que tenha uma agenda ou segundas intenções.

Também pode usar as palavras como uma cortina de fumo para ocultar as suas intenções. Pode distrair o seu alvo conversando e tornando-o menos desconfiado de si.