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As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene

As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene

Lei 25: Recrie-se

10.03.20

Orquestra - Recrie-se

Não aceite os papéis que a sociedade lhe impinge. Recrie-se forjando uma nova identidade, uma que chame a atenção e não canse a plateia. Seja senhor da sua própria imagem, não permita que o definam por si. Incorpore artifícios dramáticos aos gestos e ações públicas – o seu poder fortalecer-se-á e a sua personagem permanecerá maior do que na realidade é.

3 maneiras de se tornar um camaleão consumado

  1. Aprenda a ampliar as suas ações por meio de técnicas dramáticas, como surpresa, suspense, criação de simpatia e identificação simbólica.
  2. Esteja plenamente consciente do seu público - do que o agradará e do que o aborrecerá.
  3. Providencie para se colocar no centro, chamar a atenção e nunca ficar ofendido sobre qualquer pretexto.

Por causa do interesse obsessivo pelo teatro, Júlio César foi provavelmente uma das primeiras figuras públicas a entender o elo vital entre o poder e o teatro. Enfatizou o interesse tornando-se ator e realizador no palco mundial. Mesmo quando estava a morrer, manteve o senso de drama. Puxando a veste por cima do rosto, soltou a parte inferior da roupa, de forma a cobrir as pernas, permitindo-lhe ficar totalmente coberto e decente. Segundo o historiador romano Suetónio, as suas palavras finais para seu velho amigo Brutus, que estava prestes a dar um segundo golpe, eram em grego e como se fossem ensaiadas para o final de uma peça: "Até tu, Brutus?"

Entenda: o mundo deseja atribuir a si um papel na vida. E uma vez que aceita este papel, está condenado. O seu poder é limitado à quantidade atribuída ao papel que escolheu ou foi forçado a assumir. Um ator, por outro lado, desempenha muitos papéis. Aprecie o poder multifacetado, e forje pelo menos uma nova identidade, uma criação sua, que não tenha limites atribuídos por um mundo invejoso e ressentido. Este ato de desafio torna-o responsável pela sua criação.

A sua nova identidade irá protegê-lo do mundo precisamente porque não é "você"; é uma roupa que veste e tira. Não precisa levar nada para o campo pessoal. A sua nova identidade o diferencia, dá-lhe presença teatral. Os que estão nas filas de trás podem vê-lo e ouvi-lo. Os que estão nas filas da frente ficam maravilhados com a sua audácia.

A tarefa prometeica dos poderosos é assumir o controlo do processo, parar de permitir que outros tenham a capacidade de limitá-los e moldá-los. Transforme-se numa personagem de poder. Trabalhe em si mesmo como a argila que se molda a tudo. Faça de si um artista que se recria.

Etapas do processo de autocriação

1. Autoconsciência

Deve estar ciente de si mesmo como ator e assumir o controlo da sua aparência e emoções.

2. Autocontrolo.

Adote a plasticidade do ator, que pode moldar o rosto para a emoção necessária.

3. Criação de um personagem memorável

Crie um personagem que chama a atenção, que se destaca acima dos outros atores no palco.

Um bom drama precisa mais do que uma aparência interessante ou de um único momento de destaque. O drama ocorre ao longo do tempo - é um evento que se desenrola. Ritmo e tempo são críticos. Um dos elementos mais importantes no ritmo do drama é o suspense.

A chave para manter a plateia interessada é deixar que os eventos se desdobrem lentamente e depois acelerá-los no momento certo, de acordo com um padrão e ritmo que controla.

Além de cobrir uma infinidade de pecados, um bom drama também pode confundir e enganar o seu oponente. Outros efeitos dramáticos para o seu repertório incluem o Beau Geste: uma ação num momento climático que simboliza o triunfo ou ousadia. Também deve apreciar a importância das entradas e saídas do palco.

Finalmente: Aprenda a desempenhar muitos papéis, seja o que for que o momento exija. Adapte a sua máscara à situação - seja multifacetado nos rostos que veste.

ADVERTÊNCIAS

Tente não ser dramático demais – evite os gestos histriónicos. Tal é simplesmente mau teatro, já que desrespeita as normas teatrais centenárias contra o exagero na representação.

Exagerar pode ser contraproducente - é outra maneira de gastar muito esforço tentando atrair atenção. É menos o que faz, mas mais como o faz que importa - a sua graciosidade e imponência no palco social contam mais do que exagerar da sua parte e movimentar-se demais.

Exceções à lei

Não há exceções a esta lei. Ninguém gosta de um mau teatro; crie e interprete os seus papéis com habilidade.