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As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene

As 48 Leis do Poder

Baseado no livro de Robert Greene

Lei 22: Use a Tática da Rendição: Transforme a Fraqueza em Poder

13.03.20

Velas de vários países - Use a Tática da Rendição: Transforme a Fraqueza em Poder

Se é o elo mais fraco, não lute só por uma questão de honra; é preferível a rendição. Com a rendição obtém tempo para a recuperação, tempo para atormentar e irritar o seu conquistador, tempo para esperar que este perca o poder. Não lhe dê a satisfação de lutar e derrotando-o – antecipe-se e renda-se. Ao oferecer a outra face, provoca raiva e desequilíbrio no adversário. Faça da rendição um instrumento de poder.

7 razões para se render

  1. Quando está fraco, não há nada a ganhar lutando uma luta inútil e em que a derrota é certa logo à partida.
  2. Ninguém quer ajudar um adversário mais fraco; pois os outros não se irão colocar em perigo desnecessariamente.
  3. Quando está sozinho e deve submeter-se.
  4. Lutar não acrescenta mais além do martírio.
  5. Não sacrificar-se para recuperar a honra de uma batalha que não pode vencer.
  6. A rendição esconde um grande poder.
  7. Fazer com que o seu oponente fique complacente dando-lhe tempo para recuperar, minar e vingar-se.

Em 473 a.C., na China antiga, o rei Goujian de Yue sofreu uma grande derrota com a governante Wu Zetian na batalha de Fujiao. Goujian queria fugir, mas tinha um conselheiro que lhe disse para render-se e colocar-se a serviço da governante Wu, de onde poderia estudar o seu oponente e planear uma vingança. Goujian deu a Wu todas as suas riquezas e foi trabalhar nos estábulos de seu conquistador como o servo mais baixo.

Por três anos, humilhou-se diante da governante, que após finalmente satisfeita com a sua lealdade, permitiu que voltasse para casa. Internamente, no entanto, Goujian passou aqueles três anos reunindo informações e planeando a vingança. Quando uma terrível seca atingiu o território de Wu, o seu reino ficou enfraquecido pela turbulência interna, e Goujian preparou um exército, invadiu o território e venceu com facilidade.

Este é o poder por detrás da rendição: oferece tempo e flexibilidade para planear um contra-ataque devastador. Se Goujian tivesse fugido, teria perdido a hipótese de conhecer tão bem o seu oponente.

Qual o propósito?

Usa a rendição para obter acesso ao seu oponente. Aprende como este opera, insinua-se lentamente; exteriormente conserva os seus costumes, mas interinamente mantém a sua cultura. Sairá vitorioso, pois enquanto o seu oponente o considera fraco e inferior, não toma precauções contra si. Está a usar o tempo para atingi-lo e superá-lo. Esta forma suave e permeável de invasão geralmente é a melhor, pois o inimigo não tem nada para reagir, preparar ou resistir.

Se encontra-se temporariamente enfraquecido, a tática de rendição é perfeita para erguer-se novamente – disfarça a sua ambição; ensina a paciência e autocontrolo, as principais competências do jogo; e coloca-o na melhor posição possível para aproveitar um deslize repentino do seu opressor. Se fugir ou ripostar, a longo prazo, não poderá vencer. Se render-se, quase sempre sairá vitorioso.

ADVERTÊNCIAS

O objetivo de render-se é salvar a sua pele para o futuro, quando puder reafirmar-se. É precisamente para evitar o martírio que alguém se rende, mas há momentos em que o inimigo não cede, e o martírio parece a única saída. Além disso, se estiver disposto a fazê-lo, outros poderão obter poder e inspiração do seu exemplo.

Mas não estaria vivo para aproveitar as recompensas. É melhor esperar a maré virar a seu favor enquanto permanece vivo. O pêndulo acabará por oscilar para o seu lado.

Exceções à lei

Se reunir as condições de rendição acima apontadas, e valorizar a sua vida, não existem exceções à tática da rendição.